27/03/2026 - Ex-noivo é acusado de matar advogada em Itaberaí
A Justiça decidiu pela manutenção do júri popular do ex-noivo Luís Felipe Silva Lima, acusado de matar a advogada Jordana Fraga Martins David e simular um suicídio, em Itaberaí, na região noroeste de Goiás. O crime aconteceu em outubro de 2018. Jordana foi morta com um disparo na cabeça. O Ministério Público divulgou a decisão pela manutenção do júri.
A defesa de Luís Felipe recorreu na Justiça na tentativa de impedir que ele seja submetido ao Tribunal do Júri pelo crime. O agropecuarista aguarda o julgamento em liberdade e, segundo a defesa, ele seria inocente.
O julgamento do recurso aconteceu na quinta-feira (26) e foi realizado pela Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Por unanimidade, a Câmara negou o recurso apresentado pela defesa e confirmou que o acusado deverá ser submetido a julgamento pelo júri popular. A decisão foi relatada pelo juiz substituto em segundo grau, Hamilton Gomes Carneiro.
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Jordana Fraga tinha 22 anos quando foi morta com um disparo na cabeça, após um desentendimento com o então noivo. A denúncia do MP, oferecida à época pelo promotor de Justiça Paulo Henrique Otoni, apontou que o acusado tentou simular um suicídio para encobrir o feminicídio.
Jordana Fraga Martins David, morta em Itaberaí, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Apreensão do passaporte
O pedido de medida cautelar para apreender o passaporte do acusado foi feito após a promotoria receber a informação de que o réu havia adquirido passagem com destino a Miami, nos Estados Unidos.
Segundo o MP, a medida foi cumprida pelo acusado nesta quarta-feira (26/3). O pedido foi feito pela promotora de Justiça Elissa Tatiana Pryjmak, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Itaberaí, e que acompanha o caso atualmente.
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Entenda o caso
O corpo foi encontrado pela mãe da advogada, Lélia Fraga Martins David, em um terreno baldio ao lado da casa onde ela morava com a família. Inicialmente, o caso chegou a ser tratado como suicídio, mas a investigação considerou que Luís Felipe matou Jordana e tentou enganar a polícia.
No dia em que foi morta, Jordana havia saído para votar e demonstrava tranquilidade, fazendo planos, conversando e projetando o futuro, segundo o MP. Após um desentendimento com o então namorado, Luís Felipe, motivado por ciúmes, ela foi morta com um disparo à queima-roupa na cabeça.
Segundo o MP, Luís Felipe teria alterado a cena do crime, reposicionando o corpo da vítima e deixando a arma ao lado, numa tentativa de induzir a erro a investigação. A dinâmica, no entanto, foi desconstituída pelos elementos periciais reunidos ao longo da apuração.
Local da morte de Jordana Fraga Martins David, morta em Itaberaí, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Histórico de violência
As investigações revelaram que o relacionamento entre o casal era marcado por episódios de controle, pressão psicológica e agressões. Jordana se afastou dos amigos, mudou hábitos e viveu sob influência constante do companheiro, que impunha restrições e apresentava comportamento possessivo. Há registros, inclusive, de agressões anteriores, segundo a denúncia.
Comportamento
Conforme o MP, o comportamento do agropecuarista após o crime é um dos aspectos mais impactantes do caso. Depois de matar Jordana, ele ligou para a mãe da vítima e, durante a conversa, demonstrou preocupação com o paradeiro do próprio revólver. Ele afirmou que não queria saber de Jordana. Na sequência, fez um pedido de sanduíche e foi para casa.
Em entrevista ao g1 dois anos após o crime, Lélia disse que encontrou a filha em um terreno baldio ao lado da casa da família. Ela ainda afirmou que não tem vida e que apenas sobrevive após perder a filha.
“E uma mãe, quando perde um filho, ela não vive, ela sobrevive. Eu estou sobrevivendo a essa dor, a essa angústia, todos os dias da minha vida”, disse Lélia.
Jordana Fraga Martins David, morta em Itaberaí, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
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